Posts de Maio, 2008

POEMAS

Maio 31, 2008

Enfim Como Um Final

É como dor que cabe ao tempo escolher demais.
Sentir sua mão deter a minha, levando a ilusão.
Beijar com medo a boca que vermelha faz-me ser
Apenas mais um menino atrevido a dizer…

Enfim de tudo que um dia pude fazer.
Teu coração nunca foi meu, nunca quis…
E chorei a flor em pétalas de orvalho…
Suas lágrimas me fizeram ser um pouco que sou.

Não me venha falar que não é assim,
Nossa conclusão terminou tarde demais.
Encare a hora de dizer que é fim,
Enfim o filme chega ao seu final.

Geraldo DeLima
07:59 30/11/2006

Lance de Sorte

Sorriso que ri tão sapeca,
nos símbolos descritos, discreta.
No jeito de sentir, tão intensa…
É intenso meu jeito de vê-la.

Desconheço e isso me intriga
Imagino, suspeito, fascina
Me diz que é como menina
que eu vou te conhecer.

Fazer da surpresa do acaso,
Brincar com o destino, “des-faço “
As malas do meu prevenir .
Desfaço o seu medo, deixa ir.

Deixa ir, que agora ficou,
Um ar de amizade é mais do que sou,
Um pouco de verdade, um pouco de sol
Sobre nossa vaidade, ego e paixão.
Deixa cair toda ficha do jogo,
Essa aposta, essa carta, esse troco
Deixa tudo ser mais do que nada
Deixa o acaso ser nossa cartada.

Geraldo DeLima
13:52 21/05/2007

nadapornada

Tudo de eu
em troca:
tudo de tu

Palavras trocadas
pessoas erradas

O poema não tem dono
livre, é solto
o poema não tem culpa
mas traz a dor, causa dano

Poesia sem verdade
desafina, sofre
flor sem chão
desanima, morre

Enquanto te enganas,
me confunde.
enquanto te confundes,
me engana.

PS: Não posso deixar de dar os créditos deste poema para a Jé Perondi… Amiga que tem a coragem de me deixar “musicar” os poemas dela. rsrsrs

Bjos Jé!

Nas nuvens

O que será que vai acontecer quando eu te encontrar?
Será mais um clichê, feito música dos anos 80?
Joguetes de amor com frases feitas?
Palavra contida, sorriso na cara?

O que eu vou fazer quando te encontrar?
Falar mil coisas, mil histórias sem parar?
Te escutar e ficar presente a noite inteira?
Ou beijar tua boca em um desespero gostoso?

Simplesmente eu não sei, eu não sei dizer,
Sou escravo da imprevisão, prisioneiro do inusitado.
Eu não sei dizer, pois simplesmente não sei,
Sou tão forte, mas um tanto fraco perto de você.

E dessa forma brinco como criança brinca com nuvens
e faço da idéia a minha conselheira.

Geraldo DeLima
00:01 29/05/2008

Nem sempre é assim

Parece distância o que é saudade,
É um salto no escuro, dura realidade
o que se pode sentir assim.
Tão Longe… Longe de mim.
É meio estranho o que é violento,
Num dia um beijo, no outro o tempo
de esperar que tudo passe.
Num mero lance, num mero impasse.

E como sempre nem sempre é assim.

Do nada a lágrima lembra o sorriso,
E entre as chances e o risco
eu prefiro arriscar o medo.
Como se isso tudo não tivesse um preço.
É um pouco mentira o que é verdade…
É um fazer-se de tolo, mera insanidade
de quem escolhe o mais fácil.
Não olhar pra trás, esquecer o passado.

Mas não é fácil se faço assim.

Não me peça pra desistir!
Do que me vale a vida se não COM VOCÊ?
Não venha tentando me distrair,
Se ainda lembro as noites a esperar o amanhecer.
Se faça escutar ao coração.
De tudo que temos é o que podemos confiar.
Espere a última nota dessa canção,
Pois esse destino não podemos mudar!

Geraldo DeLima
16:33 30/09/2006

O Homem Post-It

Maio 31, 2008

Chega um tempo na vida de um homem em que tudo fica POST-IT. As coisas simplesmente não são lembradas. Faz-se preciso “grudar” certas informações em si mesmo para que tudo não acabe numa completa desorganização amorosa. Algumas datas são esquecidas, algumas posições são jogadas de lado, algumas conversas já não acontecem, algumas brigas também não acontecem (e isso realmente vira um problema).

A questão é que, mesmo que se faça um esforço tremendo para isso não acontecer, se torna impossível evitar. A entropia amorosa é real. E não mais que de repente você se vê colando POST-IT’s virtuais na sua pobre cabecinha masculina, tentando ser um normal “neandertal 2.0“.

A parceira por sua vez com sua capacidade de distorcer qualquer coisa que o ser “Cro-Magno” faça, acaba tornando a entropia amorosa algo de doer. Já não se consegue viver sem os POST-IT’s, você acaba virando um homem POST-IT e o incrível disso é que todo mundo percebe. Parece que estão comentando enquanto você passa na rua:

- Lá vai o homem POST-IT…
- Lá vem o “Cro-Magnon” desorganizado amorosamente.
- “neandertal 2.0″? Esse tá mais pra HOMEM DAS CAVERNAS.

Enquanto isso eu fico tentando me organizar pra poder chegar a meta de qualquer “neandertal 2.0″ que é satisfazer o motivo de viver de qualquer HOMEM POST-IT

… A sua mulher amada.

Teatro de uma vida só.

Maio 30, 2008

Eu faço teatro desde os 12 anos de idade, levando em consideração meus já 27 anos de vida, podemos dizer que minha história se confunde com essa arte. Foi o teatro que me ensinou praticamente tudo na vida. Me ensinou a conversar, a encarar as pessoas, a mentir, a não me sentir inútil e a aprender a viver um sentimento.

Ok, sei que a primeira coisa que vem a cabeça das pessoas é “um certo receio”. “Será que ele está sendo verdadeiro?”, “É ele mesmo?” e por aí vai. Me acostumei com isso.

Aos 12 era um menino tímido, que morria de medo de falar em publico e olhar as pessoas, mas que uma paixão arrebatadora levou ao teatro. O nome dela, Lívia, menina mais velha e linda como toda primeira paixão é. A garota em questão fazia teatro e depois de muita motivação e um empurrão básico de Beto (amigo/vizinho), resolvi ir ao teatro e esperar Lívia sair do ensaio. Detalhe, com toda a minha ansiedade, acabei chegando antes de começar.

Fiquei ali sentado, aguardando o início do ensaio e o diretor do grupo olha pra mim e diz:

- E aí, vem ou vai ficar sentado?

Eu retruco:

- Vou ficar aqui mesmo!

Ele vem taxativo:

- Menino, ou você sobe no palco ou vai embora.

Dá pra imaginar meu desespero, fiquei entre a cruz e a espada. Se fosse embora iria parecer ridículo se ficasse teria que enfrentar meu medo de pessoas. Acabei subindo e participando do grupo. Nunca cheguei a beijar Lívia, descobri meses depois que ela tinha queda por mulheres, mas o que ficou foi outra paixão. Desde aquele dia que não parei de fazer teatro. Minha vida tem pitadas de Nelson Rodrigues, Tostoy, Federico Garcia Lorca, Millôr Fernandes, Stanislavski… Tudo motivado pelo teatro. Minha vida tem colheres cheias de música. Tem os pés no chão e a criatividade nas nuvens. Tudo devido ao teatro.

Tudo bem estou babando muito o teatro, mas esse espaço é meu mesmo… rs… Como diz uma quase amiga minha: – “Pelo menos aqui eu mando!”.

Ao som de: Dream Theater | Album: Live at Budokan

Amor tipo Delivery

Maio 29, 2008

Você acorda, e se vê com uma vontade louca de se apaixonar. E não é se apaixonar de uma forma qualquer, você tem especificações, você tem “porém’s” bem definidos e não pode simplesmente abrir mão deles.

Vai até o banheiro e enquanto escova os dentes imagina a garota dos seus sonhos, mesmo que apenas por um momento. Afinal, qual é o problema em querer uma mina bonita, inteligente, sexy, que goste de política e não dispense umas ótimas baladas, que pare num domingo de sol em casa e passe horas comigo cozinhando juntos fazendo “guerra” de comida, que discuta sobre o cinema de hoje em dia, sobre como os filmes na França e na Itália nos fazem chorar, que acorde de noite pra me ver dormindo, que diga eu te amo com franqueza e alegria, que saiba se impor quando defende suas idéias, que seja teimosa daquelas que a teimosia vira charme, que prefira passar horas na cama cheia de dengo e não queira fazer mais nada no fim de semana, que me faça feliz e triste, pois não se pode viver só com uma das coisas, que seja verdadeira e honesta e que ainda traga no rosto aquele sorriso de criança…

Eu não vejo problema algum!

Por isso acho que devia existir algum serviço de delivery para o amor. Sabe? Você pega o telefone e disca e no outro lado da linha o atendente pergunta que tipo de amor você deseja. No “menu” uma variedade fantástica:

1. Amor de carnaval.
2. Amor de fim de festa.
3. Amor platônico.
4. Amor de verão.
5. Amor de Internet.
6. Amor de Acaso.
7. Amor de Mentira.
8. Amor de conto de fadas.
9. Amor Esquisito.
10. Faça você mesmo.

Eu no dia de hoje com certeza ia escolher o numero 10. Escolher o amor do jeito que eu preciso, da mesma forma que se faz um sanduíche em casa, colocando tudo o que tenho direito. Matar de vez essa minha fome de amor. Mas enquanto a humanidade caminha atrasada sem um serviço de DELIVERY para o AMOR, eu, Geraldo DeLima continuo a sonhar/divagar bem devagar sobre o AMOR que eu preciso.

Ao som de: Maroon 5 – Must Get Out | Album: Songs About Jane

A natureza do poder

Maio 29, 2008

De todas as coisas que desejo, apenas uma realmente me faz falta. Para muitos não passa de uma fase, para outros o porquê de uma vida. O que desejo não é nada material, mas causa inveja em outras pessoas, sim. Mas não importa a inveja… Eu QUERO. A questão transita apenas no PODER.

Me pergunto sempre por que razão a gente se interessa pelo inacessível, pelo impossível. Não obtenho resposta. Me questiono as vezes por que a vida não parece com um filme ou com um bom livro. Personagens de livro sempre conseguem o que querem, mesmo quando perdem algo. Nos filmes o mesmo acontece. Só que na vida real nada disso é assim… Eu procuro, eu peço, eu quero, mas nunca posso, eu não entendo a natureza do poder, não faço a mínima idéia de como isso funciona.

E vocês podem me perguntar: - afinal o que você quer mesmo?

Eu respondo com toda honestidade.

- Eu quero AMAR!

Meio piegas certo? Não acho, pelo contrário, acho belo, honesto, necessário. Mas então, o que me impede de amar? Basta gritar na rua e dizer aos sete ventos que eu estou disposto a amar verdadeiramente, que teoricamente jorrariam pretendentes. Mas não!

Não funciona assim, não há regra, não há lei. O que sei é que não temos controle.

Eu quero amar alguém que não esteja fechada quando eu bater na porta. Quero amar alguém que esteja disposta a viver esse amor apesar do que virá a acontecer. Eu quero amar sem que a distância faça diferença, sem que os problemas com terceiros sejam maiores que o amor. Eu quero mais que tudo PODER AMAR.

Parece desabafo… E é. Um texto para descarregar. Não me importa o resto da vida, faculdade… Trabalho… Família… Não me importa parecer carente escrevendo tudo isso… Não tenho medo de dizer tudo isso, mesmo que isso me leve a chorar.

Hoje é quinta, e tudo o que mais quero é pensar no amor. Amanhã eu não sei no que vou pensar, mas quero encontrar um sorriso gostoso quando eu começar a sonhar.

Ao som de: The Verve – Weeping Willow | Album: Urban Hymns

Significado

Maio 9, 2008

Conversando com AURÉLIO descobri algo que não sabia. ENIGMA é substantivo masculino. Não pode ser! É feminino, tão feminino que deixa a gente meio sem entender das coisas. ENIGMA é questão, é ambigüidade, é algo para ser interpretado ou adivinhado por alguém.

Édipo quando adivinhou o ENIGMA da Esfinge, provavelmente deve ter ficado encantado com ela… Porque é exatamente isso que palavras enigmáticas fazem com a gente… Elas nos encantam. Não sei explicar como, mas isso é fato.

Eu conheço “uma” ENIGMA, ela é moça cheia de genialidade e força. Não é fácil lidar com ela, mas é gostoso… Tem sabor de diversão e em meio a uma serie de batalhas verbais acabamos encontrando um ponto de equilíbrio. Qual é? Hummmm

Simples, eu não decifro e ela não questiona. É como se Édipo não quisesse adivinhar e a Esfinge não quisesse questionar. Equilíbrio…

O pobre do Édipo poderia ter mantido os olhos se agisse dessa forma… Eu é que não quero perder os meus.

Adoro ENIGMAS, mesmos as indecifráveis.

Sujeitinho acrônimo

Maio 9, 2008

Eu não gosto de sujeitinhos acrônimos… Desses que carregam mil significados, mas que no fundo buscam significados para a própria vida. Eu gosto é de singular. Os plurais tomam conta da vida de várias palavras e letras… Eles fortalecem alguns artigos indefinidos só para parecer que é tudo igual. UMAS, AS… Eu quero ser “O” quero ser “UM”. Quero ter significado, um único significado.

PS: Desabafo de Substantivo

Quando o som da palavra é FECHADO.

Maio 9, 2008

Existem palavras de som ABERTO e FECHADO. Até aqui nenhuma novidade, pelo contrário, tudo isso é muito óbvio. A questão é, de qual gostamos mais?

Confesso gostar das ABERTAS, aquelas que dizem logo para o que vieram… Palavras como AMOR, VIDA, FORÇA, GRITO, NOVO, BELO… Mas não posso deixar de admirar certas palavras FECHADAS.

Por exemplo, a palavra SUSPENSE. Esta palavra é cheia de significados, carrega mil DESEJOS, que por sinal é outra palavra dessa família de sonoridade FECHADA. Minha vida de substantivo tem se apresentada como algo que está cheio de suspense. A começar por vagais desconhecidas que tomam conta do meu dia a dia e completado por uma consoante de sonoridade elétrica que faz parte dos meus pensamentos. “Tá” certo, eu assumo que o post é sobre ela. Assumo que até estou gostando dela, mas ela faz parte hoje de uma palavra ABERTA, palavra essa que não faz parte do repertório que me agrada… Forma a palavra .

Quando digo que não me agrada, me refiro apenas ao fato de AURÉLIO e HOUAIS serem dicionários estranhos. Talvez seja destino. Incluir uma consoante na minha vida de substantivo e ao mesmo tempo deixá-la um pouco fora… Um pouco … Talvez seja infeliz coincidência de encontrá-la no momento pós-separação silábica… Talvez eu queira mais que dividir uma frase com ela.

Na dúvida que assola, prefiro esperar. Ligar o som alto e escutar todas as palavras que o livro da vida tem pra me dizer… Quem sabe o final é feliz!

Adjunto romântico S/A

Maio 2, 2008

Quando estiver preparado nessa minha vida de substantivo, a primeira coisa que vou fazer é procurar um Adjunto para estar ao meu lado. Não pode ser adnominal, nem adverbial, muito menos de horta. Tem que ser um ADJUNTO ROMÂNTICO de preferência S/A.

Aí vocês me perguntam: – o que diabos é um adjunto romântico S/A?
Eu respondo: – É simples! Nada mais, nada menos que termo acessório, que modifica outro, principal ou acessório.

Explicando melhor é uma companhia e do tipo sociedade anônima, que exige um único acompanhado. Porque na realidade é isso que todos nós substantivos homens comuns procuramos. Não precisa ser um adjunto loira, alta dos peitões… Basta ser companheira… Amiga… Tenha senso de humor e saiba usar o sarcasmo na hora certa. Será que isso é pedir demais?

Não acho que seja. Depois de quase 3 anos andando de frase em frase… Tentando superar o dia em que fui riscado do resumo daquele texto sobre o amor… Depois de ter me doado em mil projetos literários e ter conseguido ênfase em alguns artigos, tudo o que mais quero é um complemento que seja meu e não de qualquer substantivo, que eu possa ser o substantivo desse complemento e que sejamos infelizes “para sempre”! Porque não se pode ser feliz para o resto da vida, “para sempre” é eufemismo para “por pouco tempo”!

É isso! Vou ficando por aqui esperando o dia em que um complemento irá cair de pára-quedas bem no meio da minha frase.

Geraldo DeLima – Substantivo Homem