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Confissões de um cachorro e seu Falso Amigo

Junho 1, 2008

Capítulo 01 – PRÓLOGO

Eu tenho um péssimo amigo, e de bônus um péssimo hábito também. Me chamo ALFRED, algo meio Afrodite e Frederico. Sou com o perdão do trocadilho um CACHORRO, metade daqueles que lambem o pêlo e cheiram o traseiro dos outros, metade daqueles que pegam qualquer cadela por aí e depois nem lembra o nome. Sim, sou solteiro e tenho apenas 26 anos de idade, que para um cachorro comum seria muiiiiitttooos anos de vida, mas que para mim são apenas primaveras mal resolvidas pulando de lata em lata. Não sou vira-lata, nem sou de raça, só que como as aparências enganam, eu costumo viver com um pé na cachorrada e outro pé no pedigree. Minha mãe ainda vive comigo, mas meu pai a muito que não vejo. Gosto de gatas, todas, de qualquer estirpe. Costumo ladrar, mas no fundo todo mundo sabe que não mordo. Sou assim um simples cidadão canino disposto a mudar como todo mundo se dispõe a mudar, mas que na boa verdade da vida o que quero mesmo é relaxar e quem sabe até gozar no fim das contas.

Minha história começa quando resolvi seguir viagem até o outro lado da cidade, seguindo apenas o meu sexto sentido canino e meu olfato teimoso. O que havia do outro lado da cidade? Nada de mais, apenas certa cadela que tinha me pegado de jeito. Eu sei que nesse exato momento você deve estar me condenando, afinal de contas não se larga o conforto do lar em troca de um rabo animado e um latido sensual. A verdade é que a cidadã não era apenas uma simples cadela, a danada estava indo para o outro lado da cidade em busca do que sempre sonhou. É fato que ela não me convidou para ir, eu como sempre fui me oferecendo, disse para ela que eu era cachorro de rua, vivido, já tinha passado por várias correrias e que a carrocinha da vida nunca me levou com ela.

Então CARMEL, algo meio Caroline e Mellisa, sorriu para mim e disse que seria muito mais feliz comigo ao seu lado (na real ela pesou todos os prós e os contras, analisou e me questionou várias vezes, ficou insegura e com um baita medo de tudo), mas isso é um livro e meu editor pediu para enfeitar um pouco.

CARMEL é uma cadela daquelas que fazem jus ao termo cadela. Uma cadela em todos os prazeres em todos os significados do ser cadela. Isso foi o que me deixou babando que nem um cão doente. Ela é metade daquelas CADELAS que todo cachorro que subir, e metade daquelas CADELAS que nos faz sentir vira-latas. Na época estava estranhamente solteira, não entendia como uma deusa canina daquelas estava dando sopa por aí. Hoje ela tem 25 anos que como disse anteriormente seria bastante idade para uma cadela comum, só que para CARMEL isso tudo se resumia em muita inteligência e experiência. O que me deixava receoso era o fato dela ser da alta sociedade canina, ela têm pedigree saca? Pastora Alemã, mas não era do tipo de igreja não. Tem uma família unida, coisa rara nesse mundo cão. Sempre soube o que queria e isso não se encontra em qualquer cadela por aí. Então… Sejam bem vindos.

P.S.: Este é o prólogo do meu livro que não termino nunca… rs… O título do livro é: “Confissões de um cachorro e seu Falso Amigo”. Quem sabe um dia esse livro sai…

Teatro de uma vida só.

Maio 30, 2008

Eu faço teatro desde os 12 anos de idade, levando em consideração meus já 27 anos de vida, podemos dizer que minha história se confunde com essa arte. Foi o teatro que me ensinou praticamente tudo na vida. Me ensinou a conversar, a encarar as pessoas, a mentir, a não me sentir inútil e a aprender a viver um sentimento.

Ok, sei que a primeira coisa que vem a cabeça das pessoas é “um certo receio”. “Será que ele está sendo verdadeiro?”, “É ele mesmo?” e por aí vai. Me acostumei com isso.

Aos 12 era um menino tímido, que morria de medo de falar em publico e olhar as pessoas, mas que uma paixão arrebatadora levou ao teatro. O nome dela, Lívia, menina mais velha e linda como toda primeira paixão é. A garota em questão fazia teatro e depois de muita motivação e um empurrão básico de Beto (amigo/vizinho), resolvi ir ao teatro e esperar Lívia sair do ensaio. Detalhe, com toda a minha ansiedade, acabei chegando antes de começar.

Fiquei ali sentado, aguardando o início do ensaio e o diretor do grupo olha pra mim e diz:

- E aí, vem ou vai ficar sentado?

Eu retruco:

- Vou ficar aqui mesmo!

Ele vem taxativo:

- Menino, ou você sobe no palco ou vai embora.

Dá pra imaginar meu desespero, fiquei entre a cruz e a espada. Se fosse embora iria parecer ridículo se ficasse teria que enfrentar meu medo de pessoas. Acabei subindo e participando do grupo. Nunca cheguei a beijar Lívia, descobri meses depois que ela tinha queda por mulheres, mas o que ficou foi outra paixão. Desde aquele dia que não parei de fazer teatro. Minha vida tem pitadas de Nelson Rodrigues, Tostoy, Federico Garcia Lorca, Millôr Fernandes, Stanislavski… Tudo motivado pelo teatro. Minha vida tem colheres cheias de música. Tem os pés no chão e a criatividade nas nuvens. Tudo devido ao teatro.

Tudo bem estou babando muito o teatro, mas esse espaço é meu mesmo… rs… Como diz uma quase amiga minha: – “Pelo menos aqui eu mando!”.

Ao som de: Dream Theater | Album: Live at Budokan